



As chuvas registradas durante o mês de julho no Cerrado Mineiro, período normalmente marcado pelo clima seco e pela intensificação da colheita do café, têm gerado preocupação entre os produtores da região. A ocorrência das precipitações nesta fase da safra pode comprometer a qualidade dos grãos e reduzir o valor recebido pelos cafeicultores.
De acordo com informações da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, a umidade dificulta o processo de secagem, favorece a fermentação indesejada dos grãos e provoca a queda de frutos no solo, fatores que impactam diretamente a qualidade do café, principalmente dos lotes destinados ao mercado de cafés especiais.
Além das dificuldades enfrentadas durante a colheita, os produtores também lidam com os reflexos das mudanças climáticas observadas nos últimos anos. Após períodos de estiagem e episódios de geadas desde 2021, as chuvas em plena colheita representam um novo desafio para o setor.
Segundo a entidade, em uma safra considerada dentro da normalidade, entre 10% e 20% dos frutos costumam cair no chão. Neste ano, esse índice já varia entre 30% e 35%, aumentando a presença de grãos ardidos e outros defeitos que comprometem a qualidade da bebida.
Apesar dos impactos provocados pelo clima, a expectativa é de uma safra maior em 2026. A produção no Cerrado Mineiro deve alcançar cerca de 7 milhões de sacas, superando os volumes registrados nos últimos anos. No entanto, o aumento da produção não garante maior oferta de cafés especiais, já que parte da qualidade pode ser perdida em razão das chuvas. A colheita dos frutos que caíram ao solo deverá se estender até outubro.
A Federação também prepara o lançamento do 14º Prêmio Cerrado Mineiro, que terá edital e regulamento divulgados nos próximos dias. As inscrições ocorrerão entre agosto e setembro, seguidas das avaliações de qualidade. As etapas classificatórias serão realizadas em outubro nas cooperativas da região, enquanto a premiação dos melhores cafés está prevista para novembro.
Reconhecido internacionalmente, o Cerrado Mineiro reúne 55 municípios e mais de 30 polos produtores, entre eles Patrocínio, Monte Carmelo, Araguari, Carmo do Paranaíba, São Gotardo, Araxá, Indianópolis e Campos Altos. Na safra 2025/2026, a região comercializou cerca de 420 mil sacas certificadas com selo de origem, destinadas principalmente à Europa, além de mercados como Estados Unidos e países da Ásia. Atualmente, o café verde produzido na região chega a mais de 30 países, enquanto os cafés industrializados com selo de origem estão presentes em mais de 50 mercados ao redor do mundo.
FONTE DE INFORMAÇÕES: https://difusora95.com.br/noticias/chuvas-durante-a-colheita-preocupam-cafeicultores-do-cerrado-mineiro/



