



Médicos seguem comercializando implantes hormonais após veto para fins estéticos e brecha regulatória acende alerta
Implantes hormonais manipulados, conhecidos como pellets, continuam sendo prescritos e comercializados por médicos mesmo após restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso estético. Documentos, relatos de pacientes e ações judiciais revelam um modelo de atuação que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e é alvo de alerta do Conselho Federal de Medicina.
Os implantes ganharam popularidade em consultórios e nas redes sociais, sendo divulgados como solução para sintomas da menopausa, síndrome dos ovários policísticos e endometriose, além de prometerem melhora na disposição, bem-estar e qualidade de vida.
No entanto, entidades médicas alertam que não há evidências científicas suficientes que comprovem a eficácia desses hormônios, nessa forma de aplicação, para tratar doenças ou sintomas como queda de libido, fadiga e ganho de peso.
Segundo especialistas, substâncias como testosterona, oxandrolona e gestrinona têm efeito predominantemente anabolizante, sendo associadas ao ganho de massa muscular e fins estéticos — justamente uma finalidade proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Além disso, o uso desses implantes pode provocar efeitos colaterais graves, como infarto, AVC, trombose e até risco de morte. Para o Conselho Federal de Medicina, a prescrição sem respaldo científico pode configurar infração ética.
A principal brecha regulatória está no fato de que, embora a Anvisa restrinja a indicação estética, não há proibição total da manipulação dos pellets. Isso permite que farmácias de manipulação produzam os implantes sob prescrição individualizada.
Entretanto, documentos apontam suspeitas de produção em escala, prática considerada irregular para esse tipo de medicamento.
As investigações também apontam para um modelo de negócio envolvendo médicos que prescrevem, treinam outros profissionais e mantêm relação com farmácias de manipulação. Segundo os relatos, os implantes podem ser adquiridos por cerca de R$ 200 e revendidos para pacientes por valores entre R$ 4 mil e R$ 12 mil.
Pacientes ouvidas em investigações afirmam que desconheciam o efeito anabolizante das substâncias e relataram sequelas físicas permanentes e complicações graves de saúde após o procedimento.
A fiscalização do setor é dividida entre a Anvisa e vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, responsáveis pelas farmácias de manipulação, enquanto a conduta médica é acompanhada pelos Conselhos Regionais de Medicina e pelo CFM.
O tema também é acompanhado pelo Ministério Público, que apura possíveis irregularidades no mercado de implantes hormonais e eventuais conflitos de interesse entre médicos e estabelecimentos farmacêuticos.
Imagem retirada de:https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/06/exclusivo-medicos-exploram-brecha-e-seguem-vendendo-anabolizantes-apos-veto-para-fins-esteticos.ghtml



